sexta-feira, 22 de março de 2013

A guerra dos "ismos"




"Pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestiais." (Efésios 6.12)

Eu já disse (aqui) o que penso sobre o tema da homossexualidade e os direitos civis das minorias, sejam elas quais forem, e como este assunto deveria ser tratado pela igreja. Eu disse "deveria", porque a igreja institucional, em sua grande maioria, ainda está muito longe do que aprendemos com Jesus sobre como se deve tratar um irmão que consideramos pecador.

Hoje, antes de continuar o texto propriamente dito, preciso colocar alguns pingos nos 'is' e fazer uma distinção importante entre as palavras homossexualidade e homossexualismo.

Homossexualidade é a condição, seja ela natural ou não, genética ou cultural/comportamental/espiritual, à propensão, inclinação ou tendência ao desejo por pessoas do mesmo sexo. Esta afinidade é, na maioria das vezes, involuntária.

Homossexualismo é ideologia. É uma crença. É como a opção que se faz por um partido político, um time de futebol ou escovar os dentes com a torneira fechada para não desperdiçar a água. É uma decisão consciente e tem a ver mais com convicções do que com uma tendência nata.

Todos nós somos testemunhas, atualmente, de uma guerra que ainda não foi declarada de forma aberta, mas que já se desenrola aos gritos, ofensas, agressões, ameaças, mentiras e golpes muito baixos. De um lado os ativistas gays e do outro ativistas pró-família.

Longe de dizer quem está com a razão ou defender uma postura ou outra. Na minha opinião, os dois lados já perderam a razão faz tempo. Aliás, talvez, nunca tenham de fato tido razão em algum momento da história. Desde o início, começaram seus discursos nos canais, na intenção e na forma errada.

Dos dois lados a desculpa é a luta pela liberdade, mas esta própria "liberdade" que se é pregada está acorrentada numa ideologia, em um "ismo". Seja o homossexualismo ou o moralismo.

O buraco se aprofunda quando se descobre que o real interesse dos dois lados desta batalha não é o ser humano ou a família. O direito de ser o que se é ou de dizer o que se pensa é apenas a desculpa de um jogo de poder muito mais sórdido e nojento do que parece ser.

Estamos diante de uma guerra de marketing e ideologias vazias cujos objetivos encobertos são: trazer mais votos para cada um dos lados e também provocar uma "cortina de fumaça" com a intenção maquiavélica de desviar a atenção da grande massa dos assuntos mais graves e realmente sérios da nação. Não se trata de "teoria da conspiração", mas estes temas insuflados pela mídia são intencionalmente alienantes.

Fico triste ao ver uma "igreja" sem relevância concreta. Nem espiritual nem social. Ela se garante apenas na bancada política que a representa truculenta e interesseiramente em Brasília. Não consigo encontrar o Jesus do Evangelho refletido nas palavras dessa "igreja" ou desses "pastores" que usam as mesmas armas, as mesmas mentiras, as mesmas ameaças e o mesmo ódio para combaterem seus inimigos e suas desavenças.

Segundo Paulo, o apóstolo, "nossas armas não são humanas/carnais, são espirituais e poderosas em Deus para destruir fortalezas" (2 coríntios 10.4). Jesus nunca defendeu causas ou ideologias. Nem mesmo o judaísmo recebeu de Jesus qualquer atenção a favor ou contra. Ele se envolveu com as pessoas, encarou as suas dores. Curou alguns, libertou outros, fortaleceu os fracos, tratou os pecadores com amor e respeito. Olhava as pessoas nos olhos, dizia o que devia ser dito para quem quer que fosse, grande ou pequeno, sacerdote ou incrédulo e andava nos ambientes mais estranhos aos puritanos.

Não é uma questão de "dar a outra face" pacifica, tola e ingenuamente, mas de testemunhar a Graça e o Perdão que nos alcançam de forma viva, verdadeira e concreta. Não só através de palavras, mas de andar no Evangelho consciente e definitivamente até as últimas consequências.

Enquanto o Verdadeiro Amor, a Fé e a Esperança não forem as únicas "armas" da Igreja, será difícil ver o mundo ser convencido do Pecado, da Justiça e do Juízo de Deus com este testemunho.



O Deus que nos chama à Paz o abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Vergonha alheia...




Já faz algum tempo que tenho vontade de escrever sobre esse assunto, mas não me sentia suficientemente motivado  para depositar aqui estas poucas palavras sobre algo tão incompreendido.

Nasci e cresci num ambiente onde a experiência da fé sempre foi muito importante, porém contundente. Dos dois lados da minha família a religiosidade sempre esteve no meu cotidiano e eu me via entre dois polos constantemente. A família do meu pai sempre foi muito católica. Minha avó paterna era bem engajada nas questões da paróquia católica na pequena cidade onde morava. Quando eu passava minhas férias na casa dela, sempre a via lendo a Bíblia com o terço ao lado, antes de dormir. Meu avô, por parte de mãe, era pastor evangélico. Converteu-se ainda jovem e aceitou o chamado pastoral já depois de casado. Ele visitava as igrejas que pastoreava a cavalo ou de bicicleta porque não tinha dinheiro para comprar um carro. Tempos difíceis aqueles!

O casamento dos meus pais levou um tempo para ser aceito pelas duas famílias. Havia meio que um ar de Montecchio e Capuleto na história deles. A cerimônia foi realizada por um padre e um pastor (meu avô) ao mesmo tempo. Desde muito novinho sempre passeei nos dois ambientes: católico e evangélico sem qualquer problema. Às vezes ouvia tanto um lado como o outro apontarem os motivos da fé que os movia.

Aprendi a respeitar e ouvir pacientemente os pontos de vista que eram diferentes do meu e responder com sinceridade às perguntas que me faziam e fazem sobre a fé que professo. De lá pra cá, sou a terceira geração nesta família protestante (e de pastores)...

Meu avô foi pastor em Anta, uma cidade bem pequena que fica na divisa entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde a briga entre protestantes e católicos era sempre muito acirrada. Em 1960, quando ele chegou nessa cidade, foi até o padre e se apresentou como o novo pastor designado para a cidade. O nível de amizade entre os dois cresceu e chegou a um ponto surpreendente quando o alto-falante da igreja católica queimou e meu avô, contrariando o clima de embate entre as igrejas, emprestou o alto-falante da igreja onde era pastor para o padre anunciar as programações da igreja católica.

Naquela época os alto-falantes eram grandes cornetas, ficavam presos nas torres dos templos e não tinham como ser removidos facilmente. Emprestar o alto-falante significava anunciar a programação da igreja católica com o alto-falante da igreja evangélica, na própria igreja evangélica.

Não preciso dizer que, se naquela época isso já foi muito ousado, imagino que ainda hoje muita gente, dos dois lados, vai mandar alguma pedrada. Mas eu aguento.

Na faculdade de teologia vi esse tipo de pensamento convergente, declarado e explicado de um outro jeito: "quando a gente entra para a igreja evangélica, nos ensinam que os católicos não vão para o céu. É verdade! Muitos católicos não vão para o céu. Mas, por outro lado, é verdade que muitos evangélicos também não vão para o céu." Eu vou além...   Na palavrinha "católicos", sem ofensa, e sem comparação entre as palavras em si, mas só para ampliar o pensamento, eu vou acrescentar: ateus, espíritas, desviados, pagãos, prostitutas, gays e todo tipo de gente que nós (evangélicos) consideramos "pecadores"...

Bem, fiz esse preâmbulo todo para dizer que: dar voz a quem pensa diferente de mim não demonstra que estou em cima do muro ou que mudei de opinião, muito menos que minha fé não esteja firmada na Rocha. Demonstra respeito, vontade de aprender e dar atenção ao outro. Simplesmente ouço todas as coisas, opiniões e maneiras de enxergar a vida, tento me colocar no lugar do outro e absorvo somente aquilo que realmente é bom. O que não é bom deixo pra lá e se, de alguma forma, eu puder contribuir para a outra pessoa crescer e aperfeiçoar sua visão, farei com todo amor e respeito até que ela mesma perceba o equívoco. Desse jeito vou ganhando muitos irmãos de caminhada na fé.

Mas às vezes chega o momento de virar a mesa, como fez Jesus no templo ao expulsar os vendedores e ladrões que se utilizavam da fé do povo para enganar, explorar e enriquecer do ouro do templo. Nem Jesus nem Paulo pegavam leve com os que se diziam religiosos e ofendiam a Deus com sua prepotência, arrogância e autossuficiência ainda que fossem grandes e respeitados líderes religiosos.

Paulo e Jesus davam nomes, sim! Nomes! O que para muitos evangélicos atualmente seria uma afronta pelo que se diz "não toque no ungido" ou "não julgue para não ser julgado". Denunciavam, expunham as feridas da religião, não pela vontade de ganhar exposição, mas por amor ao Evangelho. O verdadeiro Evangelho. Havia grandes líderes que o povo cultuava como representantes e arautos da mensagem de Deus, mas eram apenas lobos em pele de ovelha, raça de víboras e sepulcros caiados. Jesus dizia: "façam o que eles dizem, mas não imitem os seus atos!".

O grande problema hoje é que a maioria do povo está cego, seduzido, entorpecido pela mensagem dos falsos profetas e não consegue discernir este tempo. O evangélico é conhecido hoje muito mais pelo show, pelo mercado, pelo colégio eleitoral, pela força da mídia e da pressão, sem amor e sem reflexão profunda, do que a mudança de vida exigida pelo Evangelho.

Sinto verdadeira vergonha alheia quando vejo um auto proclamado representante evangélico ganhar mídia e projeção muito mais pela polêmica que consegue gerar do que pelo anúncio: "vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados...".

Arrepia-me o fato do povo evangélico e muitos outros simpatizantes defendê-lo e acharem que está se pregando o Evangelho, que o pecado está sendo desmascarado. Pois eu digo que o pecado está sendo desmascarado, sim, muito mais pela "trave" que está no olho do povo evangélico do que pelo cisco no olho de quem está apenas batendo no peito da própria existência, se dizendo um pecador e sem coragem de olhar para o deus (com letra minúscula mesmo) vingativo, negociador e charlatão anunciado nas telas das nossas TVs.

O Jesus da Bíblia não se parece nem um pouco com o Jesus da televisão e dos grandes templos. Só quem está cego e enfadado da religião que se "auto salva" não consegue perceber. Para nossa tristeza e vergonha...

Não se faça de sábio aos seus próprios olhos! No Reino por vir, os últimos, os esquecidos, abandonados, pequeninos e menos proeminentes é que serão os primeiros.


O Deus que se revela aos simples e pequeninos o abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Como você vê o mundo ao seu redor?




Texto: Números 13.26 - 14.9

Título da mensagem: Como você vê o mundo ao seu redor?

Introdução: Início de ano é sempre um momento de expectativa para muita gente. É o momento em que as pessoas costumam marcar como o início de novos projetos, tomadas de decisões importantes e também coisas corriqueiras como iniciar um regime ou aprender alguma coisa nova.

Alguns de nós prometem ser mais zelosos na oração, na leitura bíblica, mas as mudanças que propomos para nós mesmos, muitas vezes, provocam mais frustração do que alegrias.

explicação do texto: O livro que nós chamamos de "Números", é chamado pelos judeus de "No deserto". É interessante este nome porque a gente sempre fala que deserto é lugar de passagem e é exatamente disso que se trata o livro de Números: a passagem do povo de Deus pelo deserto até chegar à Terra Prometida. Além, é claro de algumas ordenanças sobre o culto judaico e leis.

O capítulo 13 marca o ponto culminante de toda a viagem através do deserto. Mas Israel revela não estar ainda preparado para entrar na Terra Prometida.

Deus havia dado ordens a Moisés para enviar espias à Terra Prometida antes de toda a nação entrar nela. Já havia passado quase quarenta anos que o povo peregrinava pelo deserto e agora estavam diante da possibilidade de experimentarem o cumprimento da palavra do Senhor em suas vidas. Bastava entrar na terra e desfrutar de todas as bênçãos que havia nela.
Mas mudanças contém riscos, podem doer e dar trabalho.


Ilustração: O texto que nós lemos me faz lembrar uma história que eu ouvi há muito tempo sobre vendas de sapatos na Índia.
Havia uma fábrica de sapatos querendo expandir seu mercado para a Índia e enviou dois dos seus melhores vendedores para conhecer pesquisar mais sobre o país.
Os dois foram enviados para cidades diferentes e o primeiro entregou um relatório dizendo:
_ Esqueçam a ideia de vender sapatos na Índia. Aqui ninguém usa sapatos.
O segundo vendedor, sem saber do relatório do seu colega, enviou um e-mail para a fábrica dizendo:
_ Contratem mais empregados e ampliem a base da fábrica. Estamos diante do maior mercado de sapatos do mundo. Aqui ninguém usa sapatos ainda. Seremos os primeiros a vender sapatos na Índia.

Jesus, no Novo testamento, resume esta história da seguinte forma: Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será iluminado. Se forem maus, que grande trevas serão.

Argumentação

Tópico 1 - Aprenda a olhar para a vida de forma diferente. Domine a ansiedade e o medo.
Preciso confessar que sou uma pessoa de natureza muito ansiosa. O interessante é que sou um ansioso calmo. Quando recebo uma notícia sobre algo que acontecerá ou alguém que chegará de viagem ou até mesmo uma situação que está por se realizar; começo a imaginar como aquilo acontecerá, fico fazendo planos o tempo todo, e às vezes sonho acordado tentando alcançar ou antecipar o que virá naquele tempo.

Tenho que fazer um exercício diário para aprender a lidar com isto e deixar que esta característica seja utilizada a meu favor e não contra. O que tenho entendido é que o problema não é a ansiedade em si, mas a forma como a dominamos ou deixamos ela nos dominar.

Existem dois tipos de ansiosos: aqueles que confiam que Deus fará o melhor para suas vidas e descansam nesta esperança para executar as próximas etapas de planejamento e execução dos sonhos; e aqueles que nunca realizam nada por medo.


Tópico 2 - A diferença entre o nosso sonho pessoal e o sonho de Deus para nós.

Aqui eu quero chamar a atenção para algo muito perigoso que ocorre no meio evangélico atualmente que é a chamada confissão positiva. Esta forma de entender a fé acredita no poder da palavra falada como se fosse algo sobrenatural. Ou seja, o que você lança para o mundo espiritual como verbalização, como profecia, tem poder próprio para virar realidade.

Daí vem a banalização da profecia no nosso meio. Muitas pessoas profetizam coisas uns para os outros, mas estas palavras muitas vezes nada tem a ver com a vontade e a soberania de Deus.

A sutileza da confissão positiva é que ela parece bíblica, utiliza até versículos bíblicos para sua defesa, mas sua raiz é maligna. Ela coloca o poder na palavra falada e não em Deus.

Quem acredita no poder da palavra como mágica são os pagãos e esta crença está muito difundida no nosso meio sem percebermos os perigos dela.

Não estou dizendo que não existe profecia dada por Deus. Acredito que o Espírito de Deus dê revelações aos homens, mas Deus não está obrigado a cumprir tudo o que profetizamos por nossa própria vontade.
A palavra falada como profecia só tem poder quando Deus é quem a dá. Qualquer outra palavra dita, mesmo que seja utilizado o nome de Jesus, não terá efeito se Deus não a realizar.

Um outro perigo da confissão positiva é que ela tem um efeito colateral terrível e incute um medo neurótico nos crentes. Eu já vi gente que tem medo de falar nomes de doenças porque acreditam que podem atrair maldição para suas vidas.

Bem, existem os nossos sonhos e existem os sonhos de Deus para nós. Não estamos proibidos de pedir coisas em nossas orações, a bíblia até nos incentiva a pedirmos coisas que queremos. Mas devemos submeter nossas vontades à vontade de Deus.

Afinal Deus também tem sonhos e propósitos com cada um de nós. Se pedimos alguma coisa, é preciso deixar Deus responder: sim, não ou espere.


Tópico 3 - Creia nas promessas de Deus para você

Como saber que promessas são estas? Onde elas estão? Em primeiro lugar: na Bíblia. A Palavra é o centro da revelação da vontade de Deus para nossas vidas. Eu não digo o texto simplesmente, mas a vontade de Deus revelada em Jesus para nós.

No texto que lemos, enquanto a maioria líderes do povo olharam para o gigantesco problema que tinham pela frente e ficaram estagnados ali imaginando a grande enrascada que Deus e Moisés os haviam colocado, Josué e Calebe avançaram mais um pouco e visualizaram a revelação da promessa pela perspectiva de Deus. Eles sabiam que quem fez a promessa é fiel para cumprí-la. A revelação traz segurança.

Josué e Calebe não se detiveram no problema, mas sonharam com Deus vencendo os gigantes, entregando a terra nas mãos de seu povo. O próximo passo era atravessar o Rio Jordão e marchar até a terra prometida, o resto era com Deus.


Conclusão

Eu não sei quais sonhos você tem para este ano ou para um tempo além. Eu tenho muitos sonhos, mas tenho aprendido a não colocar minha vontade à frente da vontade de Deus.

Nem todos os nossos sonhos se realizarão. Isto é uma grande verdade que precisamos aprender a conviver com ela. Mas eu sei que nenhuma Palavra de Deus pra mim deixará de se cumprir.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

O que é o Natal?





Há quem diga que o Natal, a história que conta e celebra o nascimento de Jesus, no dia 25 de dezembro, na verdade é a mistura de várias outras histórias e mitologias de alguns deuses pagãos da antiguidade. Entre estes ilustres personagens que emprestaram suas histórias figurariam, principalmente, Horus (egípcios), Mitra e Attis (persas e romanos) e até mesmo Krishna (hindus) que, segundo as fontes históricas dos seus povos de origem, bem antes da história do Jesus dos cristãos, teriam nascido no dia 25 de dezembro, também através de uma virgem. Coincidência?

Alguns outros elementos e símbolos utilizados nas festas natalinas também teriam seus correspondentes nas tradições pagãs como a árvore de natal, guirlandas e a troca de presentes nesta data.


Seria, então, o Natal uma grande farsa, um plágio ou uma celebração pagã disfarçada de festa cristã?

De fato, a conversão do imperador Constantino e a transformação do cristianismo na religião oficial do Império Romano, no século IV, provocou uma grande mistura das tradições pagãs romanas com as tradições cristãs. Festas, datas e costumes pagãos foram remodelados e recontados utilizando-se agora nomes e personagens da história cristã.

É verdade também que o dia 25 de dezembro foi "tomado emprestado". Talvez, quem sabe, na intenção de provocar uma melhor assimilação dos conceitos cristãos nos romanos, que foram sendo convertidos ao cristianismo. As datas e festas foram mantidas para facilitar a compreensão pedagógica da história do "novo" Deus que era apresentado ao mundo da época.

Independentemente das tradições pagãs e da acusação de suposta tentativa de plágio por parte da religião cristã, o fato é que o Jesus histórico é real e comprovável através de centenas e milhares de fontes documentadas dentro e fora dos textos bíblicos.

Alguns historiadores e pesquisadores indicam que o nascimento de Jesus teria ocorrido na verdade entre os meses de maio a julho, mas não se pode afirmar com certeza a data do nascimento de Jesus. Até mesmo o ano do seu nascimento é impreciso, com uma margem de erro de até 6 anos.

O que nos importa então é o testemunho de homens e mulheres que andaram com Jesus, estiveram presentes durante os seus feitos, foram testemunhas oculares, relataram suas impressões e experiências, dedicaram suas vidas a segui-lo e até foram capazes de morrer por ele depois de tudo o que vivenciaram.  A vida e a história contada por esta gente é o que dá sentido ao Natal cristão, muito além da confirmação ou comprovação da data em que Jesus tenha nascido.

Os escritores dos Evangelhos e dos demais textos do Novo Testamento são unânimes em afirmar não só a humanidade e historicidade de Jesus, mas que nele foi manifestada corporalmente a Graça e a Glória de Deus. E ainda mais: foram capazes de afirmar, correndo risco de vida, que Jesus havia ressuscitado dentre os mortos, o que as autoridades da época proibiram severamente de se falar. Por que alguém seria capaz de enfrentar torturas, perseguição, prisão e o perigo de perder a própria vida por uma história que se soubesse que era mentirosa? Seria muito mais simples negar tudo, mas eles preferiram pagar com a própria vida do que mudar a versão dos fatos.

Deus se fez carne, assumiu a forma de homem por amor à humanidade, isso é o centro da mensagem e celebração do Natal. Falando a respeito de Jesus, o Evangelho de João afirma categoricamente: "O Verbo (Palavra) se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, glória como do Filho único de Deus" (João 1.14) e ainda "porque Deus amou o mundo de tal maneira que enviou o seu único Filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna" (João 3.16). O apóstolo Paulo diz também: "Sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Filipenses 2.6-7).

E Jesus? O que Ele diz a respeito de si mesmo? "Eu e o Pai somos um." (João 10.30), "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá" (João 11.25), "Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso" (Apocalipse 1.8).

Por que dar crédito a textos tão antigos? Novamente afirmo que mais importante do que os textos em si, além da informação histórica, é o testemunho daqueles que os escreveram.

De alguma forma, Deus se manifestou e se deixou testemunhar entre todos os povos da terra desde o início da criação. Algumas culturas absorveram a revelação e a transformaram para o bem, outras para o mal. A exemplo disso, ninguém pode negar que até mesmo o cristianismo tenha cometido seus equívocos na tentativa de decifrar e encapsular Deus com exclusividade. Nenhuma religião do mundo pode conter toda a revelação de Deus, mas em Jesus toda a plenitude de Deus foi exposta ao mundo.

Mitra, Horus, Attis, Krishna, Dionísio e outros deuses pagãos da antiguidade na verdade foram apenas lampejos e tentativas do homem entender Deus. Todos eles carregam o arquétipo do Cristo, tem alguma informação ou aproximação histórica com Jesus, mas são apenas imagens desfocadas da entrada de Deus na história humana. Por amor, Deus se permitiu ser conhecido até mesmo fora do contexto bíblico com a intenção de facilitar a compreensão das boas novas e do sacrifício eterno do Cordeiro de Deus antes mesmo da fundação do mundo.

Muitas outras culturas tentaram se aproximar de Deus através das suas próprias histórias, mas todos estes mitos e histórias só fazem sentido se entendidos através de Jesus, em quem Deus se apresentou à humanidade definitiva e absolutamente.

Apesar de a data ter vindo de fora do cristianismo e ter ganho um sentido extremamente comercial, o Natal é uma das maiores oportunidades que os cristãos de hoje têm para testemunhar que Deus se deu como presente para toda a humanidade, a fim de que todo aquele que Nele crer encontre a Vida Eterna.

Em verdade, o Natal é para ser celebrado, relembrado e testemunhado todos os dias. Mas ganha ênfase na mídia e no inconsciente coletivo do mundo todo no dia 25 de dezembro. Por que não utilizar esta data para explicar ao mundo o verdadeiro sentido do Natal?



O Deus que se deu e se fez presente na história do Natal te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Uma carta ao amor



No final de 2008 eu estava no olho do furacão de uma conturbada situação de relacionamento familiar. No início daquele ano, eu cheguei a perder 20Kg em três meses por conta do que estava passando e, como reação, depois de um tempo de abatimento e dores interiores, me sentia no dever de dar uma chance a mim mesmo. Eu precisava fazer alguma coisa. Era a escolha entre me entregar e morrer ou mudar e viver. Não vou entrar em detalhes, mas o que resolvi fazer no final daquele ano, dentre tantas outras coisas que se processaram no meu ser, foi escrever uma carta para o futuro. Eu não sabia que aquela carta-desabafo-esperança se tornaria numa espécie de profecia de pacificação e encontro.

Todo mundo espera encontrar um grande amor. Seja ele um mesmo amor transformado/reciclado ou um amor novo, num outro lugar e num outro tempo. Algumas pessoas têm este sentimento como uma promessa a si mesmos, mas outras o tem como frustração de desencontros e medos. Amar e se entregar por completo é perigoso, mas eu sabia que era capaz de assumir o risco novamente e viver um grande amor com todas as sinuosidades que ele possa carregar. Sentia-me mais maduro, mais forte e queria muito viver um momento na história diferente do que havia enfrentado até ali.

Eu não sabia, naquele momento, como ou com quem este amor e história se configurariam, só sabia como certeza interior que ele aconteceria mais cedo ou mais tarde. Uma vez comecei até a procurá-lo, mas meu coração foi fortemente balançado por uma voz interior que dizia: "Aquiete-se! Espere acontecer sem procurar!". Não sem deixar de cuidar de mim mesmo, descansei, então. Foi mais de um ano de espera longa e solitária, mas estranhamente eu não me sentia solitário. Havia a certeza de que ela chegaria e saber isso bastava.

Na carta, eu não dei nome ao amor que esperava para não correr o risco de focar no tempo, espaço ou pessoa errados. Chamei-a apenas de "Promessa" e prometi que somente ela seria dona daquelas confissões de esperança e o pedido que fiz. Vou cumprir o que eu escrevi à "Promessa", não vou tratar do conteúdo daquela carta publicamente. Pertence somente a ela o que escrevi lá. Por favor, entendam o pacto que propus. O que derramei naquelas linhas começou a se cumprir pouco mais de um ano depois através do sorriso sonhado que só ela possui.

Elaine surgiu na minha vida como um verdadeiro presente de Deus. Ela chegou exatamente no dia seguinte ao meu aniversário de 34 anos. Não sei porque a vida não nos permitiu o encontro antes. Nunca havíamos sido apresentados, mas quando ela chegou era como se nos conhecêssemos a vida toda. Era como um farol iluminando minhas noites escuras e revelando o caminho mais seguro a seguir. A "Promessa" se fez carne, se fez sonho realizado e poesia. Tudo se encaixou de forma muito natural, como tem que ser nas coisas do amor. O encontro virou uma grande alegria, a alegria virou nossa amizade, a amizade deu lugar à paz, e a paz cresceu até virar um grande amor. Tudo muito intenso, muito profundo, rapidamente lento e verdadeiro. Trindade de desejo, amizade e fidelidade.

Hoje completamos dois anos de casados e eu resolvi fazer esta abordagem e homenagem pública ao amor, à cura e ao crescimento que se solidificam cada dia mais e mais na nossa vida em comum. Enfrentamos desafios, sim. Muitos! Sabemos que nenhum de nós dois é perfeito e não temos a ingenuidade de tentar ser. Temos consciência das dificuldades e os assuntos sensíveis que afetam tanto a um como ao outro, mas o sentimento de paz e bem, a vontade de pular de cabeça todos os dias para viver o que for preciso vem de forma muito natural e verdadeira, sempre. O amor venceu e vence todos os dias em nós dois.

Ouço muita gente dizer que o verdadeiro amor não existe. Vejo pessoas frustradas, cansadas de se darem, de terem tentado tantas vezes e se magoarem por causa de escolhas erradas do passado ou do presente. Os erros dos encontros apressados são perigosamente possíveis, é verdade! Mas aprendi também que o amor intenso e entregue é uma possibilidade real que a gente constrói com paciência, verdade e cumplicidade.

É preciso também ter uma certa dose de sabedoria e sensibilidade para perceber os sinais que a vida nos dá. Aprendi a dar valor aos pequenos avisos que recebemos. Todos nós os recebemos, o problema é que nem sempre damos a eles a devida atenção e isso pode ser prejudicial tanto para fazer esperar além do tempo, como para a precipitação de tomar uma decisão antes do momento oportuno.

Eu agradeço a Deus a chance de fazer um caminho diferente de tantos outros que percorri. Poderia ter morrido em alguns caminhos, mas sobrevivi a todos eles. Não posso dizer que me arrependo totalmente dos caminhos por onde passei, eu simplesmente os respeito. Aprendi com eles, é parte da minha história, foi onde eu cresci, amadureci e me tornei o que sou hoje. Tenho muitos outros caminhos a percorrer aqui e mais a frente, mas tento não repetir os mesmos erros de antes.

Hoje eu tenho uma parceira, amiga, irmã, confidente, filha, conselheira, modelo, intercessora, namorada, mãe, esposa, revisora, amante, sábia e guerreira reunidas numa única pessoa. Que felicidade é conviver com tantas mulheres numa só. Mulher Iluminada, você é um presente maravilhoso! Repouso do meu coração, descanso da minha alma, musa inspiradora e alimentadora do poeta que habita em mim. Lugar de chegada para onde corro todas as vezes que chego de algum outro lugar. Meu desejo e oração é para continuar este caminho de mãos dadas com você até depois do fim. 


O Deus que nos uniu te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A igreja sem porta




Bom seria se todos pudessem enxergar que o Cordeiro de Deus tirou o pecado do mundo e que agora, já, neste exato momento, eternamente, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

A Lei acabou! Sim! O fim da Lei é Cristo para salvação de todo aquele que Nele crê! Toda dívida de morte e de sangue promulgada contra os homens foi paga integralmente! Está consumado para sempre! A cruz venceu! A loucura da cruz, do sacrifício eterno do sangue derramado pelo Cordeiro Eterno, aboliu de uma vez por todas outros sacrifícios e rasgou o véu da separação entre a humanidade e Deus.

Só não vê quem se faz de cego, quem tem medo da vida. Porque o Espírito da Vida é para todos os que creem, para todos os que se perceberam salvos no amor eterno do Deus que se entregou por toda a criação, por todo o universo.

Sim! A cruz alcançou redentoramente todas as galáxias. Libertou as extremidades acorrentadas do universo. Andrômeda e todos os buracos negros, estrelas anãs e cometas foram salvos. Um dia, por Graça e Misericórdia, se converterão em novos céus e nova terra. A criação encontra-se em dores de parto, para dar à luz o conhecimento de Deus. As dores são fortes, os gemidos são ouvidos por muitos e muitos anos, mas os filhos da Luz se levantarão glorificados, transformados, renascidos eternamente com as vestes lavadas no sangue do Cordeiro de Deus.

Homens e estrelas se converterão num eterno cântico de adoração ao Rei Eterno e Imortal.
Nuvens de testemunhas se aglomeram para receber os novos irmãos e irmãs que vão sendo feitos nesta igreja sem portas, sem muros, sem nomes ou fronteiras. A Igreja de Deus é invisível, indomável e não conhece outra forma de servir e adorar a Deus que não seja "onde estiverem dois ou três reunidos em seu nome".  Simples assim, em todo e qualquer lugar... Com toda e qualquer pessoa.

Esses irmãos não são salvos pela frequência aos templos, não são salvos por terem seus nomes arrolados nos livros humanos, não ostentam tradições ou formas de culto, mas se encontram salvos e perdoados pela Graça de Deus. Somente por Graça e Misericórdia são salvos, nada além disso. Isto é fruto da bondade de Deus. Sim! Deus é amor!

A igreja com portas tem medo da igreja sem portas. Claro! Os maus ensinam que a salvação acontece somente da porta para dentro. Querem impor suas próprias vontades e espoliar os bens dos insensatos. Mas quem realmente encontra a salvação a encontra no aprisco do Bom Pastor que não conhece fronteiras nem de culturas nem de língua, muito menos de institucionalidade. O Bom Pastor dá de graça a vida sem exigir nada em troca. Bebam de graça da Água da Vida, sem sacrifícios e sem ofertas! É o que está escrito.

Para a liberdade foi que o Eterno Sumo Sacerdote nos reuniu neste culto, nesta celebração chamada chão da vida. No Cordeiro o culto é eterno, não acontece somente aos domingos, mas flui incessantemente no respirar e andar de cada um que é chamado de filho.

A Nova Aliança foi escrita na carne dos corações desta gente cansada e sobrecarregada que aprendeu a entregar seus fardos para quem é Manso e Suave. Nele não há mais medo, não há mais lágrimas de morte. Até quem já morreu  Nele encontra a Vida Eterna.

Os céticos duvidam, os pessimistas tentam desconstruí-lo, os medrosos tentam parar de ouvir Sua voz, mas o testemunho do Espírito sopra poderosa e calmamente. Um dia todo olho o verá, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é Senhor absoluto de toda a existência. No dia em que o mar devolver os seus mortos, todos saberão.

Senhor da Vida é o seu nome! Venceu a morte para sempre! Assim será o cântico eterno.


O Deus que faz o convite para a vida te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

sábado, 3 de novembro de 2012

Se eu não tiver amor...






"Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria..." este é um conhecido refrão de uma das músicas de Renato Russo, compositor e intérprete da banda Legião Urbana e também o trecho de uma das cartas que o apóstolo Paulo escreveu à igreja de Corinto, no Novo Testamento.

A poesia de Renato lida inteira, na verdade, pouco tem a ver com o contexto macro de I Corintios 13, que trata do amor ágape, o amor que tudo sofre, tudo espera e tudo crê sem precisar de nada em troca.

Renato interpreta de forma equivocada e míope o amor de I Coríntios como sendo o amor eros, o amor da atração sexual, do namoro. O amor sexual depende da troca, do alimento diário de carinho, depende do apelo sensual, dos jogos de sedução e tantos outros elementos que fazem um homem e uma mulher se apaixonarem, por exemplo.

Nada errado em se amar assim. É bom! É prazeroso! Mas o texto da carta do apóstolo Paulo vai muito além da troca disputada e acariciada deste amor.

O amor eros um dia passa, um dia se esfria e perde o vigor. Até mesmo o amor phileo, o amor dos amigos, dos filhos e pais perde força e muitas vezes não consegue ser correspondido à altura e se frustra. Mas o amor ágape permanece inviolável, inabalável. Perdoa mesmo sem vontade ou sem forças. Perdoa o imperdoável. Acredita no inacreditável, não de forma boba ou inconsciente, mas dá nova chance. Diz a verdade, mesmo que seja dura, quando preciso. Se doa mesmo sabendo que não receberá nada em troca. Este amor é aprendido, exercitado e alimentado no amor eterno de Deus. A Graça de Deus é ágape e reside aí a necessidade de, como filhos de Deus, aprendermos a desenvolver o amor ágape nas nossas relações interpessoais.

João, na sua 1ª carta, diz: "Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor" e ainda "Se alguém diz: eu amo a Deus, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois ninguém pode amar a Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão, a quem vê".

O amor de Deus nos reconciliou com ele por Graça, sem que nós merecêssemos, sem esforço da nossa parte, mesmo que não consigamos ficar de pé por muito tempo e tantas vezes caiamos e erremos novamente. O amor de Deus opera em nós, mesmo enquanto andamos no erro, no pecado.

Jesus ensina que devemos amar assim também. O perdão, graça e bênçãos que recebemos de Deus devem ser devolvidos àqueles que estão à nossa volta. Todos! O amor ágape não ama só quem devolve amor, mas ama também ao que o odeia, ao que nem se sabe amado ou o despreza.

O amor ágape é livre e não é privilégio de qualquer grupo em particular. É para todos. Vai onde ninguém se dispõe a ir, consegue romper os grilhões da maldade, da morte e opera doando-se abundantemente, sem ressentimento. Não conhece nomes, títulos ou passado. Não diz: "eu te amo enquanto me amares", mas ama poderosamente em oração e lágrimas se preciso, mas ama.

Ágape é um dom, um presente gratuito. Imerecido! Por isso se perpetua sem precisar do incentivo ou de "fazer por onde". Ágape dá a vida não somente pelos amigos, mas também pelos inimigos e deseja que sua vingança seja sempre transformada no abraço apertado do perdão, da reconstrução do caminho em direção à vida e não à morte.

O convite de Deus é sempre ao amor ágape. Este é o princípio e a finalidade de todas as coisas. Nele somos aperfeiçoados pelo e para o amor. Se não for assim, nada seremos, ainda que façamos chover curas, milagres e profecias.

Amamos nossos inimigos e ofensores com amor ágape ou exercemos sobre eles apenas o phileo enquanto durar nosso ânimo?

Vivemos o que pregamos como verdade ou nos conformamos nas nossas próprias fraquezas como desculpa para nada fazer ou falar?

Estamos mesmo dispostos a amar com tamanha entrega e viceralidade até as últimas consequências na Graça e no poder de Deus?

Particularmente, eu acredito que um dia todos nós seremos julgados não meramente pelo que fizemos de certo ou errado, pelo pecado que cometemos. Mas seremos medidos pelo bem que deixamos de fazer, pelo perdão que nos recusamos a oferecer e pela mão que não estendemos como graça aos nossos inimigos.

Paulo termina sua carta dizendo que no final de todas as coisas, de todos os tempos, poderes e universos, permanecerão apenas a fé, a esperança e o amor, mas o maior destes três é o amor.



O Deus que nos ama sem merecermos nos ensine a amar sem merecimento e nos abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Não acredito em templos





Uma vez perguntaram a Jesus onde era o lugar correto para se adorar a Deus. Quem fez essa pergunta foi uma mulher, samaritana, que não pertencia à "religião oficial" da época. Os judeus consideravam os samaritanos idólatras e impuros. Ela tão pouco teria, aos olhos dos moralistas, uma vida "santa" e "irrepreensível" para se aproximar e fazer tal questionamento ao Senhor, pois se tratava de uma mulher que já havia passado por cinco casamentos e o atual marido, bem... não era de fato marido dela. Um escândalo até mesmo para os discípulos de Jesus que achavam inapropriada aquela conversa.

A resposta de Jesus foi simples: sugerindo não se tratar do lugar físico/geográfico. A adoração a Deus deve ser pessoal, interior, espiritual e sincera.

A primeira coisa que salta aos olhos de quem lê o relato completo do Novo Testamento é que Jesus quebra muitos paradigmas, a começar por tirar da religião e do templo a exclusividade da mediação e do relacionamento com Deus. Nossa oração e adoração não dependem de um altar construído para serem ouvidas. O altar, o templo, o lugar de culto é o próprio coração.

A segunda coisa é que, diferentemente da tendência da religião de dizer quem é puro ou não, quem é mais especial, Deus não nos avalia por questões meramente morais ou sociais. Foi Jesus mesmo quem disse que prostitutas e corruptos poderiam ser mais dignos de entrar no Reino de Deus do que alguns que se consideram exclusivamente santos, mas vivem de forma hipócrita (Mateus 21.31).

O encontro com Deus é transformador, sim. E radical. Mas nem por isso acontece somente nos ambientes ou dias santificados pela igreja ou pelas religiões dos homens. Particularmente não acredito em templos ou em religiões como lugares e entidades sagrados em si mesmos. Acredito no Deus que não cabe dentro das religiões, não é totalmente explicado pela razão humana, ri dos tratados teológicos, não se detém nos limites impostos pelas tradições vazias. Ele conversa com ateus, pagãos e também faz amizade com quem é considerado "afastado de Deus". Deus é maior do que a própria Bíblia ou qualquer outro livro sagrado. Livros são confissões humanas, limitados, mas a Palavra de Deus é eterna e pode ser escrita até mesmo nos corações de quem não sabe ler, de quem não tem acesso ao papel.

O Deus apresentado por (e em) Jesus é o Deus que ama até as últimas consequências, que entende a aflição humana, se comunica multiformemente, que se compadece ao invés de condenar. É o Deus que tem mais prazer na reconciliação do que na condenação e não leva em conta o tempo da ignorância.

"Misericórdia quero" é o que Deus grita enquanto a religião vocifera "morte aos impuros".

Vejo uma multidão esquecida, adoecendo nos arredores da igreja. É gente que não encontrou abrigo, não foi acolhida, foi expulsa e considerada "fora dos padrões". Muitas vezes projetamos no outro o santo que não conseguimos ser e dizemos "enquanto você não se tornar como um de nós, não será aceito em nosso meio". Muitos, a partir desse ponto, decidem viver uma vida apenas de aparências, sem transformação real, simplesmente para serem "aceitos".

Nos esquecemos que quem santifica e transforma é Deus e não nossas imposições, arrogâncias e externalidades. É a caminhada, o dia a dia, que vai nos tratando, curando, limpando as feridas, trabalhando e completando a obra de Deus em nós. Não é no tempo que queremos, mas na compreensão e confiança de que quem opera tanto o querer como o realizar é Deus.

Neste sentido, até mesmo numa conversa de mesa de bar, Deus pode operar com graça, curar e inflamar corações cansados e sobrecarregados. Por que não? Os religiosos de hoje torcerão o nariz da mesma forma como fizeram os fariseus do tempo de Jesus, quando o acusaram de andar com pecadores. Mas Deus trabalha sem se importar com o que falam. Enquanto uns ordenam, outros decretam e outros ainda profetizam suas impressões puramente carnais e humanas, o Senhor vai dando vista aos cegos e ouvidos aos surdos que estão fora dos domínios dos templos.

Nenhuma religião é dona de Deus. Nenhum sacerdote é detentor exclusivo da voz de Deus. Nada que não se pareça com o amor ou com o espírito de Jesus pode ser chamado de Evangelho ou Bíblico, ainda que dito e ordenado pelas grandes instituições religiosas. Pense nisso!


O Deus que ama e fala com pecadores te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

domingo, 12 de agosto de 2012

É proibido sofrer!




"É proibido sofrer!" Esta é a mensagem que vemos sendo anunciada em quase todos os lugares. Talvez nem sempre dita assim tão explícita, mas percebemos suas variações quando também se diz: "pare de sofrer!", "tenha uma vida vitoriosa!", "Você nasceu para ser cabeça e não cauda!", "decrete e profetize sua vitória!", "tome posse pela fé!" e tantas outras ordens e palavras que, na cabeça de muita gente, vira uma espécie de anestésico contra as dores que os problemas da vida provocam na gente.

A sociedade atual se esconde do sofrimento e o nega porque ele desmascara nossas fragilidades. A questão é que a ferida continua aberta, a infecção vai se alastrando cada vez mais, a doença emocional vai se enraizando, vai matando lentamente, mas seus efeitos são maquiados pela não sensação de dor. Se esquecem que o próprio sofrimento pode ser uma bênção, pois ele nos avisa sobre a necessidade de que algo deve ser feito.

Embora haja fundamento bíblico para nos dizermos mais do que vencedores por meio de Jesus, esta palavra "vencedores" não segue o modelo e o padrão moderno de entendimento do que seja vencedor segundo a ganância dos homens. O perfil do vencedor moderno é aquele que até pode passar por alguma dificuldade, mas consegue tudo o que quer. Sempre vence as dificuldades virando o jogo com palavras mágicas. Nunca demonstra em público suas fraquezas. Este é o vencedor das externalidades, da futileza, do terno Armani, da bolsa Louis Vuitton, do carro de luxo, de ter dinheiro, poder e influência sobre a vida das pessoas. É o que se faz vencedor pela força bruta, é o indestrutível. Infelizmente, este tipo de vencedor é anunciado adoecida e insistentemente em muitos púlpitos. Quem não se enquadra nesse padrão é rapidamente chamado de "sem fé", amaldiçoado, fraco ou derrotado.

Já, o Vencedor, segundo o Evangelho, é aquele que também sofre, também passa por algum tipo de privação, pode até vencer de alguma forma material, mas sabe discernir entre o momento de rir e o de chorar. Aprende a viver cada um destes momentos reconhecendo que há um Deus que não somente assiste, mas participa com a gente, ao nosso lado, de cada riso ou lágrima e usa essas coisas também como ensino e crescimento para cada um de nós.

Perder ou ganhar, ser fraco ou forte, no entendimento bíblico, não depende do troféu humano, das honrarias, homenagens, recompensas e reconhecimentos que se recebe em vida.

Vencer não tem a ver necessariamente com possuir bens ou ser curado de uma doença terminal. Estas coisas também, mas elas não tratam da essência. Estão na superfície de uma vida muito mais profunda, muito além de ter ou não os seus sonhos e pedidos realizados.

Aqueles que vencem ou venceram, nas Escrituras, perderam o mundo para ganhar a Vida. Alguns foram perseguidos, torturados, mortos, tiveram seus bens espoliados, famílias separadas. A maioria não foi nenhum exemplo de sucesso de empreendedorismo, de força de vontade ou estabilidade emocional. Passaram fome, fugiram, tiveram medo, alguns desistiram ou abandonaram seus projetos e chamados missionários, antes do tempo. Tiveram crises existenciais, ficaram deprimidos, se sentiram enfraquecidos, desejaram morrer mas foram salvos e reencaminhados não por suas próprias forças, mas pela Graça infinita, teimosa e amorosa de Deus. O verdadeiro vencedor é aquele que vence não por ele mesmo, mas vencido, vence em Deus.

O vencedor, segundo as Escrituras, sabe que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, mas nem por isso deixa de se alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram. Vive cada sentimento de forma verdadeira, sem máscaras e consciente.

Nesta vida ainda vamos perder e achar muitas coisas, muitas vezes. Alguns sonhos pessoais jamais serão alcançados, outros virão como que presentes de Deus para nossas mãos. Não se permita ser julgado pelos outros ou pela própria consciência por causa do que você ganha ou deixa de ganhar. O importante é, como diria nosso irmão Paulo, o apóstolo: "quer vivamos ou morramos, somos do Senhor." (Romanos 14.8). Em outras palavras, desta vez, ditas por Jó "o Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o seu nome." (Jo 1.21).

O sofrimento em si não nos torna derrotados. Podemos, sim, aprender e sermos aperfeiçoados por causa dele. O rótulo é sempre algo imposto de fora pra dentro. Nem sempre expressa uma realidade. Não se auto impute um desmerecimento ou supervalorização falsos. O verdadeiro vencedor aprende a dar nomes às suas responsabilidades, projeta sua esperança não nas coisas que se veem, mas naquelas que são eternas. Assume seus erros, mas também consegue se alegrar com cada pequenino passo em direção à Vida. Sabe perdoar e também pedir perdão. O sofrimento dói, mas nos amadurece, nos ensina a reconhecer o que de fato podemos chamar de vitória.


O Deus que venceu por todos te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Romanos 5



Mensagem ministrada na Igreja Metodista em Jardim Paraíso II - Nova Iguaçu no dia 25 de maio de 2012

Romanos 5



Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança.
Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.
Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.
Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer.
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.
Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida;
e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação.
Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.
Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.
Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.
Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.
O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.
Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.
Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.
Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.
Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça, a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.


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